★Valéria Oid★
16/09/2016
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Normalmente diz-se que Valéria Oid é a “drag persona” de Bruno Cadinha o que é interessante porque às vezes não consigo fazer a distinção entre as duas identidades.

Podemos falar sobre como sempre fui uma criança isolada e efeminada mas já pago a uma profissional para falar sobre isso, portanto podemos passar para o momento em que os primeiros traços da construção de Valéria começam a surgir e porquê.

Depois de algumas experiências (drag) normativas desde a pré-adolescência, Valéria vem à mente como possível eu, quando tenho a primeira das minhas crises de identidade. Disso fica uma marca em mim e como performer, decido criar a Valéria enquanto projecto artístico-político. Político por existir uma normatividade gritantemente opressora no que toca à ideologia política da população LGBTQ+ em Portugal, no que toca à vivência dessa população e mesmo à expressividade individual e artística.

O facto de eu acreditar e dizer que o drag é político e/ou que drag não-político não é drag, e o facto de o meu drag não ser normativo, colocam-me numa posição de não-legítimo nos poucos e pequenos círculos pelos quais o drag circula. E isso é muito importante porque é exactamente essa a razão pela qual a Valéria enquanto projecto de performance e identidade existe.

Então, Valéria é uma bicha que é peluda, não-binária, queer, freak, out of the box, trash, android, feminista e gaylien. Enquanto Valéria revela uma perspectiva do feminino, Oid revela um lado físico, da forma, do corpo. Valéria Oid é, portanto, um projecto do fazer-histórico, fazer-estranho, fazer-criatura, fazer sentir.

No que toca a performar, bom, é sempre uma questão complicada porque performance drag não é reconhecida enquanto trabalho artístico. Ou trabalho. As pessoas não se lembram que as roupas custam dinheiro, a maquilhagem custa dinheiro, o cabelo, os sapatos, acessórios custam dinheiro. A isso junta-se o trabalho de edição de músicas e ensaios. Tudo isto é um investimento não-reconhecido e não-remunerado e, por isso, deslegitimado.

 

E por falar em performances drag, aproveito para fazer uma pequena auto-promoção e anunciar que vou fazer uma performance na festa de abertura do Queer Lisboa 20 na qual reinvindico identidades trans e bicha, relembrando os 10 anos do assassinato da Gisberta Salce Júnior, que depois segue para o DJset Queria ★ Morta do qual faço parte com o Gonçalo C. Ferreira.

APAREÇAM!

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