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Top 10 Séries Queer
22/01/2016
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10. Queer as Folk (2000-2005)

A série Queer as Folk foi a primeira série totalmente queer a ter um grande impacto cultural. Baseada na versão britânica que teve apenas duas temporadas, Queer as Folk continua a ser uma das melhores séries de tv, representativas do mundo gay. Apesar dos protagonistas serem todos homens cis gays, de classe média, a narrativa que abrange desde o drama à comédia, mostra como os nossos amigos tornam-se família, principalmente para quem é LGBTQ+. Existe também um casal de lésbicas (Lindsay e Melanie) que decide começar uma família, um assunto ainda tabu na época. No entanto são personagens secundárias muito simplificadas e que existem apenas pela ligação aos protagonistas.

É uma série que vale sempre a pena ver, mesmo já tendo acabado há mais de uma década. É simplesmente bom entretenimento que nos faz sentir parte da família.

 

9. South of Nowhere (2005 – 2008)

South of Nowhere ficou conhecida pela sua abordagem direta quanto a vários temas importantes na nossa sociedade, desde o racismo, às questões da sexualidade ou aos problemas que surgem dentro de uma família muito religiosa, a série refletia a sua época.

Se na primeira temporada s frágil e inocente Spencer sente-se pressionada a ter de decidir entre ser gay ou hetero (como se o termo bisexual não existisse, e muito menos pansexual) mais tarde e já numa relação amorosa com a aventureira e independente Ashley, ambas continuam a encontrar novos obstáculos, próprios da vida de qualquer indivíduo integrado numa sociedade constituída por valores retrógrados e preconceitos ignorantes. South Of Nowhere foi também uma das primeiras série televisivas que teve como protagonistas um casal lésbico e onde as histórias secundárias acabam por estar todas ligadas a Spencer e Ashley.

 

8. Sense 8 (2015 – )

2015 foi marcado por todas as pessoas que se fecharam em casa durante um fim de semana para verem todos os episódios de Sense 8 de seguida. Certo? Certo!

Apesar de algumas criticas em relação à história de alguns personagens e do uso excessivo de estereótipos, o que realmente interessa realçar neste caso é a relação entre Nomi e Amanita.

Nomi é uma das personagens principais e é uma mulher trans. O casal enfrenta vários tipos de julgamento ao longo da série, seja por parte das amigás lésbicas de Amanita ou seja pela maneira agressiva como a família de Nomi não consegue aceitar esta ser trans. No entanto estes problemas apenas ajudam a solidificar o amor entre as duas, e esta é uma história com uma necessidade imensa, tratada com grande paixão e honestidade.

 

7. Transparent (2014 – )

Transparent é mais uma série de “binge watching” ou seja podemos ver os episódios de seguida e ficar a chorar por mais durante um ano.

O tema principal da série é a transsexualidade da personagem principal, Maura. Através de Maura vamos descobrindo como os seus filhos, Ali, Josh e Sarah, olham para as suas próprias vidas à procura de respostas e começam a reavaliar tudo e todos à sua volta. Ali é talvez a personagem mais interessante. A sua curiosidade constante em relação à sexualidade, à sua importância no mundo e às relações humanas levam-na numa viagem que vai desde o feminismo ao mundo queer e que tem grande destaque na temporada 2, ainda fresca, lançada em Dezembro passado. Devo acrescentar que a actriz Gabby Hoffman carrega a personagem de Ali com imensa brutalidade e carisma, assim como Carrie Brownstein que interpreta Syd, amiga e confidente de Ali, para além de ser a sua ligação direta ao mundo queer. No caso da irmã mais velha Sarah, esta volta a envolver-se com a ex namorada Tammy, ainda durante o seu casamento (heterosexual) e a sua vida muda completamente.

Transparent é uma série empática sem desculpas, abordando todos estes temas com uma humanidade crua e reconfortante. A representação de todas estas pessoas e de todas as suas complexidades torna-a numa das séries mais cruciais dos últimos tempos.

 

6. Tipping the Velvet (2002)

Tipping the Velvet é a adaptação televisiva do livro com o mesmo nome, escrito por Sarah Waters, uma das escritoras mais bem sucedidas e reconhecidas pelas suas histórias com protagonistas lésbicas.

Tipping the Velvet é um romance passado na época Vitoriana, retratando a vida de Nan, uma jovem inocente que ao assistir a uma peça de teatro, apaixona-se pela protagonista e ambas começam uma relação intensa que marca o crescimento de Nan. Todos esses acontecimentos fazem-na questionar os papeis de género, as classes sociais e as regras restritivas da Era Vitoriana. Contendo várias cenas de erótica feminina, outras sobre a desconstrução da dicotomia limitadora entre feminino/masculino e de como ser queer no século XIX era uma luta constante e assustadora, Tipping the Velvet é uma narrativa televisiva de grande qualidade, como seria de esperar da BBC.

 

5. Orphan Black ( 2013 – )

A personagem de Cosima em Orphan Black poderia facilmente ter-se tonado num estereótipo fácil, mas a série conseguiu criar um clone queer que por acaso é uma cientista e por acaso faz parte do casal mais cativante e emocional de toda a série. Cosima e Delphine não deixam nenhum fã da série indiferente, uma relação viciante e composta por momentos atribulados, o espectador continua a torcer para que o casal resolva as suas indiferenças e vivam felizes para sempre.

No entanto, nós até gostamos dos entraves e complicações que estas séries nos impõe. Cosima é vulnerável, forte e calorosa e não deixa de forma alguma que a sua sexualidade seja a parte mais importante da sua identidade, como podemos comprovar através desta frase da segunda temporada “My sexuality is not the most interesting thing about me.” tradução: “ A minha sexualidade não é a coisa mais interessante sobre mim”. Touché.

 

4. Orange is The New Black (2013 – )

2013 foi um grande ano para a visibilidade LGBTQ+ na cultura popular e Orange is The New Black apareceu na altura certa. Baseada na auto biografia de Piper Kerman, sobre a sua experiência enquanto reclusa numa prisão de mulheres, a série dá voz a um grupo abrangente de mulheres, que são rainhas da comédia, sonhadoras patológicas e com histórias fascinantes por contar.

A personagem de Piper não é a mais interessante, histórias semelhantes já foram vistas e revistas demasiadas vezes, o que tornou Orange Is The New Black uma série especialmente refrescante foram todas as outras personangens. E ainda bem que este grupo de pessoas rico em diversidade, ganha mais tempo de antena em cada temporada. Seria impossível falar de cada personagem em apenas duas ou três palavras, por isso apenas recomendo vivamente que vejam a série. Não só pessoas queer, feministas ou que gostam daqueles reality shows sobre a vida na prisão (naturalmente a realidade é muito mais dramática e não tão divertida). Para quem esteja interessado na capacidade humana de se relacionar com os outros, para todas as pessoas que de alguma forma fazem parte de uma minoria, para quem queira simplesmente rir até soluçar, ou ver a sua história e a história de pessoas que nunca conheceram representadas num formato sem receios de mostrar todas as singularidades do ser humano, esta série é para vocês.

 

3. The L Word (2004-2009)

O The L Word é cada vez mais um caso de amor/ódio no mundo queer.
A primeira série de tv que representa exclusivamente a letra L, (insert Scott pilgrim: Lesbians) as lésbicas da série eram na sua grande maioria de classe média alta, brancas (com excepção da Bette e mais tarde da Tasha) femmes e magras. "Graças a deus" pela Shane, que alguns diziam só estar lá para fazer muitas raparigas heterossexuais questionarem a sua sexualidade. Eu aplaudo isso, afinal eu gosto de pessoas que a própria existência e confiança na sua identidade fazem questionar os outros quanto à sua. E se precisarem de um desbloqueador de conversa certeiro (sdds Solange F) basta perguntarem a um grupo de pessoas se gostam mais da Jenny ou da Shane. Prometo que resulta sempre. (Acho que não deu para perceber que sou Team Shane pois não?)
O foco principal da série é a amizade entre todas, transformando-se numa família (como em Queer as Folk) pois mesmo com todas as diferenças de opinião, este grupo de mulheres é leal até ao fim e isso veio destruir a ideia patriarcal e absurda de que as mulheres são mesquinhas e horríveis entre elas.

A primeira temporada foi uma espécie de teaser sem certezas, já a segunda erradicou alguns dos cortes de cabelo ridículos e apresentou a personagem mais caliente da série, Carmen de La Pica Morales, que veio aquecer os nossos corações. A terceira temporada tem talvez a pior cena de sempre, sem querer fazer spoilers, acho que muitas pessoas nunca mais conseguiram ver essa temporada por causa disso. A partir da quarta temporada a narrativa tornou-se plana e por vezes confusa, o que salvou foram mais uma vez algumas das novas personagens.

A série é uma espécie de ritual para todas as pessoas que se encontram no espectro LGBT, representação é importante, mesmo que seja um grupo muito especifico de pessoas.

 

2. Skins (2007-2013)

Skins é uma série centrada num grupo de adolescentes. As primeiras duas temporadas foram pioneiras quanto ao uso de drogas, sexualidade e descoberta individual. No entanto é com a terceira e quarta temporada que se solidifica como uma das melhores séries sobre “coming of age” a aparecer nos nosso ecrãs.

Emily é apresentada inicialmente como a gémea de Katie, tímida e com pouca auto estima. Através da sua atração inevitável por Naomi, esta começa a usar a sua voz , a mostrar a sua força e o seu orgulho em ser lésbica. Naomi é sarcástica, introvertida, com uma personalidade forte e com Emily sente que pode finalmente relaxar e ser ela própria. Mesmo com uma quarta temporada trágica, a evolução do amor de ambas e principalmente a evolução pessoal da Naomi no fim da temporada 4 (com aquele discurso épico), coloca-as no topo da realeza queer. Naomily tornou-se no casal mais mediático e querido pelo público e dificilmente outra relação irá conseguir destroná-las. Dito isto por favor não vejam a temporada 7!!!

Ok passando à temporada 5 que nos trouxe um novo elenco. Franky foi a primeira personagem pansexual que eu vi a ser retratada numa série, com a frase “I’m into people” esta nem teve de colocar um rótulo na sua sexualidade (seria talvez mais correto dizer orientação sexual mas pessoalmente não gosto desse termo, parece que temos uma espécie de bússola que nos vai dizendo se somos mais ou menos tolerados pela sociedade conforme a direção que escolhemos? Quando não é de todo uma escolha ou uma opção.) Na altura ainda não sabia que a palavra pansexual existia mas aquele diálogo foi um alívio instantâneo. A Franky era criativa, andrógena e tinha um historial de bullying que chegou a ser falado. Com um potencial enorme em termos de exploração de identidades genderqueer (e não só) que tanto fazem falta em muitos dos filmes e séries LGBTQ+. No entanto a temporada 6 deu-nos a conhecer uma Franky mais feminina e numa relação hetero. A temporada 7, foi buscar algumas das personagens favoritas do público mas não teve o impacto da série original, acabando por ser uma grande desilusão.

 

1.Sugar Rush (2004 – 2005)

Sugar Rush é a série quase perfeita, leve, divertida e super queer. Digam se esta não é a melhor descrição de sempre:

“I'm a 15-year-old queer virgin obsessed with my best friend”
Tradução: “Sou uma virgem queer de 15 anos e estou obcecada pela minha melhor amiga”

A protagonista, Kim, é uma personagem com quem nos conseguimos relacionar muito facilmente. O humor da série é a sua maior faceta, Kim não tem medo de rir dela própria e da tragédia que é estar apaixonada pela melhor amiga hetero.
Já a segunda temporada é um mar de esperança e de amor. pois Kim encontra finalmente o amor recíproco com Saint e estas acabam por ter a relação com que Kim sempre sonhou. De acrescentar que a cidade de Brighton é o pano de fundo perfeito para estas histórias, sendo conhecida como a cidade queer do Reino Unido.

Uma série que acaba em tom de felicidade não é muito comum na cultura queer, por isso Sugar Rush está em primeiro lugar nesta lista, porque nós também merecemos. (não só a L’Oreal)

 
Raquel Smith-Cave

Raquel Smith-Cave

Se vão a festas queer, encontram-na lá a dançar na pista e a cantar por cima dos hits dos anos 2000.
Não se deixem enganar pela sua timidez, pode conversar horas a fio e tem sempre algum facto sobre música ou televisão que nunca tínhamos pensado antes.Com opiniões espevitadas, traz-nos opiniões e listas, do que ver e ouvir.
Raquel Smith-Cave

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