The Rocky Horror Picture Show
18/08/2017
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Porque este mês passaram 42 anos da estreia deste filme icónico e nós não podíamos deixar passar a data.

Falar do Rocky Horror Show é sempre uma conversa interessante porque inevitavelmente, cada pessoa acaba com uma opinião e leitura completamente diferente. É um musical que tem dado azo a tanto ódio como amor, e pessoalmente caio mais para o lado do amor, mas há muito a criticar.

Para contextualizar, Rocky Horror Show é um musical inglês apresentado pela primeira vez em Londres em 1973. É um musical que é posto em palco numa altura em que o Applause na Broadway tinha começado a normalização de homens cis e gay em palco, e que esse tema começava a ser desenvolvido com pretensão de deixar tabus lentamente para trás. Podemos dizer que havia uma semente de aceitação no meio da Broadway. Numa altura em que já havia alguma abertura para liberdade sexual em palco (com Hair, Chicago e etc), o Rocky Horror Show criou esse espaço para uma comunidade queer, num espectáculo em que ser quem somos não era parte de uma anedota, mas sim identidades válidas e celebradas. A origem da discórdia em relação ao espectáculo, no entanto, é o sentimento que este perpetua estereótipos negativos. Como é que estes dois lados tão distintos podem então coexistir?

O argumento mais citado é a perpetuação de estereótipos trans na personagem de Frank N. Furter. A ideia de Frank como uma espécie de encarnação do bicho-papão que é a existência de pessoas transfemininas (malvado, hiper-emocional, hipersexual e predatório). É compreensível que para muitas pessoas este personagem não seja boa porque representa toda uma lista de características utilizadas ao longo do tempo para desvalorizar pessoas transfemininas. Tudo isto para além de ele fazer parte de um problema bastante maior do que o próprio filme, o do consentimento questionável e da cultura da violação, utilizando tropes utilizadas, infelizmente, muito recorrentemente no cinema, nas cenas de ‘sedução’ de Brad e Janet.

Por outro lado, Frank é o inegável herói do filme, e todas estas características são apresentadas como parte da sua agência e poder pessoais, distinguindo-o da maneira como este tipo de personagens geralmente é retratado. O género e expressão do mesmo de Frank nunca são tidos como fraqueza, mas pelo contrário como algo que o torna larger-than-life e celebrado.

As opiniões divergem, mas é inegável que Frank, tal como o Rocky Horror Show em si, é não-conforme, não-respeitável, decadente, complexo, como todxs nós. Uma comunidade que muitas vezes pela primeira vez encontrou neste filme um espaço para si. É muito importante ter conversas sobre as questões problemáticas de Rocky Horror, mas é possível, como com quase tudo, apreciar algo enquanto o criticamos.

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As histórias estão por todo o lado, de pessoas que encontraram em Rocky Horror maneiras de se expressar e de estar mais fiéis a si mesmas, com pessoas com as quais se identificavam. Creio que seja por isso que os dois lados da crítica de Rocky Horror conseguem coexistir tão bem, porque Rocky Horror é muito mais do que um filme ou um espectáculo, é um evento e fenómeno social e cultural que tem como premissa apagar binarismos e celebrar identidades.

 

Obrigada Li por teres aceite o desafio. <3

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