Sobre “O azul é uma cor quente”
02/02/2018
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Depois de ver o filme de que tanta gente falou durante tanto tempo, chegou às minhas mãos o livro.

Em “O azul é uma cor quente”, de Julie Maroh, a história de Clementine é contada através dos textos do seu diário. Um dia, enquanto caminhava na rua, o seu olhar cruza-se com duas raparigas que vão abraçadas: uma delas tem cabelo azul e sorri-lhe.

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Este é o ponto de viragem da história a partir do qual tudo muda e nada voltará a ser como dantes: a sua relação com os pais, com os colegas na escola, as suas prioridades e sobretudo é aqui que começa a descoberta da sua sexualidade. Ao longo das páginas do livro, caminhamos lado a lado com elas, no seu amor, nas suas incursões nas coisas boas e menos boas desta relação.

 

Para mim, que já tinha visto o filme, a leitura trouxe-me muitas coisas novas e diferentes: foi como se estivesse a conhecer um novo mundo, uma nova história uma vez que as diferenças entre filme e livro são algumas e a forma de expor também. O livro, em formato banda desenhada, tem um tom melancólico mas muito bonito e apaixonante, que nos agarra desde as primeiras páginas, e no qual a atenção ao pormenor e ao uso do azul é uma arma bem estudada e sublimemente utilizada.

 

Conseguimos identificar-nos com o que aconteceu com o coming out da Clementine, até porque retrata bem as inquietudes e os problemas dos adolescentes – ser adolescente já é difícil, quanto mais quando se está a descobrir quem somos e o que é ser fora da norma, ou pelo menos diferente das expectativas que a sociedade e o mundo têm em relação a nós.

Para mim não há livros lésbicos, homossexuais, temática gay…há histórias sobre pessoas, emoções e sentimentos. Há histórias sobre amor.

 

“-Nunca tiveste vergonha de ser assim?

-Só o amor pode salvar o mundo. Porque teria eu vergonha de amar?”

Se tiverem oportunidade, não deixem de ler o livro só porque já viram o filme! Ele está editado em português pela Arte de Autor e fica a dica para uma óptima prenda do dia dos namorados.

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