Relatos de uma rapariga Nada Pudica
23/10/2016
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Quando eu era pequena, tinha o hábito de dormir com a mão dentro da cueca. Todos os dias, a meio da noite acordava com gritos de repressão de quem de mim cuidava, acabando por ficar de castigo.

Isto para dizer que quando somos Mulheres, dentro de um sistema educativo e cultural em Cabo Verde, aprendemos facilmente a censurar o nosso próprio corpo e a nossa essência feminina.

 

Eu dispo-me! Eu acaricio-me! Sinto o odor e o aroma da minha pele negra. Alguém proferiu que, por ter nascido Mulher, tenho de aprender Ave Maria. Mas o Homem esquece-se que a natureza não peca.  Por isso  permito-me sentir-me. E não me sinto pecadora ou culpada por isso!

 

Apenas sei  o que a minha natureza deseja ser. Mas muito cedo aprendi a reprimir-me.

 

Quando, pela primeira vez, vi algo que fez recordar a minha primeira paixão de infância, e os primeiros sinais do meu corpo como identidade, senti repulsa. Passei a viver no meio da hipocrisia, normas e regras sociais e culturais a que me foram impostas.

 

Este é um espaço que nos condena, nos reprime, nos julga.

 

Texto que deu origem à vídeo-performance – Relatos de uma rapariga Nada Púdica – que Lolo levou às Conversas feministas no espaço Com Calma no passado dia 20 em que o Queering style esteve também presente. As próximas datas para verem são:

Disgraça – data a confirmar

EKA Palace – 3 de Dezembro

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