Refúgios LGBTIQ e a Europa?
06/05/2017
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Antes de mais, oiçam.

Estamos metidos numa grande alhada. Por um lado, temos os americanos a fazer Trumpices, por outro temos a Theresa May a accionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa e, nas televisões, distraímo-nos a rir das 30 aparições diárias do nosso Presidente da República que é, na minha opinião, o Donald Trump cá do sítio.
Dia 25 de Março, a Europa juntou-se para uma Cerimónia Comemorativa dos 60 anos da União Europeia onde Portugal se fez representar por António Costa. Comeu-se, bebeu-se, criticou-se o outro que acusava os países em dificuldades de gastarem em “putas e vinho verde” mas… onde ficam as pessoas que fazem a cultura da Europa (os ditos continentais e os emigrantes)?
Não estou hoje aqui para dissertar sobre as diferenças entre o jihadismo, islamismo, e o Islão.

Não estou hoje aqui para me debruçar sobre a problemática do Médio Oriente.

Estou hoje, aqui, estou hoje aqui para reflectir sobre a problemática das pessoas LGBTIQ refugiadas na Europa.
A questão aqui apresentada é tão complexa quanto preconceituosa. Eu sou preconceituoso sobre muita coisa – é que sou mesmo! – mas, todos os dias, tento aprender um pouco mais para me tornar uma pessoa mais esclarecida assim, este texto não é para quem é ou não a favor de refugiados em Portugal ou na Europa: este texto é para quem preza a vida humana antes de qualquer outro valor; para quem não categoriza a vida humana em “superior” ou “inferior” – quando se fala de pessoas, falamos em sentimentos de pertença numa comunidade e de segurança: que posição podem ter as pessoas LGBTIQ europeias no acolhimento de pessoas LGBTIQ de fora da Europa?

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a ler do The Washington Post

Vejamos os factos, e dêem resposta às questões colocadas:
1º Há pessoas a fugir dos seus países, das suas culturas.

Questão: Porque motivo é que alguém sairia do seu país, se não por necessidade extrema?
2º Essas pessoas sujeitam-se a morrer na travessia para a Europa.

Questão: Quando a morte é algo provável numa viagem e, mesmo assim, arriscam – significa, provavelmente, que vale a pena… não é “estranho”?
3º Há pessoas LGBTIQ a virem para a Europa para poderem fugir a discriminações e à morte.

Questão: Quando a pena de morte, chibatadas, trabalhos forçados, apedrejamentos (alguns, até à morte), prisão perpétua, tortura… são leis no país não é espectável, literalmente, fugir?
4º Há um crescente de populismo de Direita a surgir na Europa.

Questão: Os cidadãos dos países com leis menos hostis para com a discriminação face à orientação sexual, não teriam um papel fundamental ao acolher refugiados?

 

5º Na Chechénia, mesmo ao nosso lado, há um Campo de Concentração para gays.
Questão: Deveria o Estado Português (e a União Europeia), de tomar uma posição inequívoca (económica, politica, e militar) em relação a este horror patrocinado pela Rússia?

 

6º Portugal é um país exemplar no que diz respeito à legislação contra a descriminação face à orientação sexual.

Questão: Deveriam, as pessoas LGBTIQ portuguesas, iniciar um movimento público (e com financiamento Público e / ou Privado) de apoio a pessoas LGBTIQ refugiadas, acolhendo-as e integrado-as na nosso continente respeitando diferenças, apreendendo consigo e assumindo as suas diferenças culturais?

 

Já há um abrigo para os refugiados homossexuais, em Berlim.

Fui, até ao momento, o único blogger LGBT que divulgou em Portugal um pedido internacional ao apoio de um filme sobre o Mr. Gay Syria. Leiam a minha publicação e ajudem, por favor!
As artes já se juntaram à Revolução que se advinha. E nós, estamos prontos para sermos quem somos?
Portugal não tem, o que é pena, um grupo altruísta e organizado que se dedique à produção cientifica (sociológica, histórica, entre outros) sobre estas e outras questões. É urgente um grupo alargado de pessoas, das mais diversas áreas, discutam, investiguem, e produzam opinião, sobre estes e outros temas. Por exemplo, a nível legislativo, já falta pouco por fazer mas, a nível social falta tanto… mas tanto! Só através de uma visão conjunta, é que é possível mudar porque não sejamos cegos, nenhuma lei é para sempre e a História é cíclica.

É urgente divulgar a naturalidade que é sermos diferentes. É difícil? Sem dúvida, mas é um trabalho que tem de ser feito. Haverá portugueses dispostos a isso?

Enquanto andarmos a seguir “o ritmo”, nunca despertaremos os leões que há em todos nós. É nossa OBRIGAÇÃO, ajudar todas as pessoas que são DISCRIMINADAS face à sua ORIENTAÇÃO SEXUAL. Chega de nos acobardarmos atrás de um país-excepção. Abram os olhos, foda-se!

Este artigo foi escrito por uma pessoa cis, masculina, branca eurocentrada,  de Portugal e de classe média.

Caso queiram falar comigo, também estou sempre disponível.

E-mail – adolescentegay92@gmail.com

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