Poemas
Práticas e Instruções Anti-terroristas para a Explosão duma Bomba Interior
22/05/2016
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Vou tirar os sapatos altos na estrada e…

sem descer dos saltos vou, fixar os pés na mãe terra

Dizer adeus às armas e partir para a guerra

Aprofundar os passos bem firmes no solo

Para não me tornar supérflua ou superficial

E ir apelando ao bom senso comum universal e como tal

Hoje tenho ao meu lado na trincheira um sábio senhor

Partilhamos da poeira, da poesia e da mesma dor

Procuramos a explosão duma bomba interior

Mas com palavras, sem nos tornarmos armas ou instrumentos, kamikazes, terroristas contra o bando, contrabandistas, extremistas, especialistas do poder e do fazer sofrer  Nós procuramos simplesmente a explosão duma bomba interior

Mas com palavras, por vezes tão bélicas e fatais

Que tanto podem ser cravos como granadas, intemporais,

Vou pegar nessas armas e partir para a guerra

Como uma abelha que ferra, uma mulher que berra,

Com os olhos cheios de raiva fixados na hipocrisia internacionalizada

Na corrupção globalizada, nos sonhos roubados

Na imposição de que só temos dois lados

Na manipulação televisiva e no povo sentado, privatizado no seu atrelado

Estagnado a falar sobre o Estado, que não é mais do que o seu próprio estado…

A achar que são eles lá em cima que fazem a crise e nós freeze

A lamber a ferida para que cicatrize

Pois o sangue continua a escorrer e com juros

Então pagamos a dívida para esquecer,

Para atenuar a dúvida e retribuir a dádiva daquilo que nos é imposto

Eu intervenho com palavras, em linhas tortas endireito o peito

Enquanto procuro a inspiração

Bocejo em frente a um esboço

No fundo do poço encontro rascunhos

Arregaço as mangas, cerro os punhos

Construo uma bomba poética, faço terrorismo literário

Numa vontade sublime ou senil de não querer ser mais um número em mil  ‘Cause I have a dream! And yes I can! Yes I feel!

Porque se não sinto o sistema estou só a alimentar o meu próprio problema

Como uma mulher cega, surda e muda, que deixa de ser anarca

Porque arca com as consequências do norte ao sul, do sul ao norte

E cujos passos não a tornam mais forte

Porque já nem sabe o que fazer e sendo esta terra a sua  talvez já faça o suficiente, porque sua e transpira contra a corrente  E com a ilusão de ter a sua história em mente:

Foi escrava e serva da era colonial

Máquina do mundo industrial

Hoje é vassala da rapidez digital

Mas leva sempre na viagem, na bagagem as palavras, a brotar em flor  E a procura da explosão duma bomba interior!

 

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