PINK BLOC na MOL 2016

Este ano, os colectivos trans/queer/feministas Lóbula e Panteras Rosa, em articulação com malta amiga e aliada, criam o Pink Bloc: uma iniciativa de presença colectiva na Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa de 2016 que se propõe enquanto espaço afirmativo e inclusivo para as identidades e práticas dissidentes, e enquanto modo de marcar uma presença queer radicalizada na MOL deste ano.

A MOL é um momento importante de inscrição de vozes LGBT+ no espaço público. Mas urge expandir os termos de representação que propõe. Chega de reivindicar apenas, e até à exaustão, os direitos do sujeito homonormativo, cis e homem, branco e ocidental, preconceituoso e capacitista, que, adequando-se à norma social, tapa os ouvidos àexistência de outras vozes e de outras vidas que ultrapassam o campo da sua experiência. Chega de excluir aquelxs que se decalcam desta norma. Este ano, queremos vociferar por outros afectos e corpos e possibilidades. Este ano, exigimos mais, e temos horizontes políticos maiores em mente.

Reconhecemos à partida os mecanismos de disciplinarização a que as identidades LGBT+ são sujeitas no contexto do capitalismo tardio, e resistimos à transformação de qualquer corpo na forma de um novo sujeito de consumo, politicamente neutralizado. Vemos nesta sociedade cisheteropatriarcal e capitalista a condição estrutural não só da heteronormatividade mas também da cis- e homonormatividade, sabendo que demasiadxs de entre a nossa pretensa “comunidade” continuam a vigiar e regrar o corpo alheio com distância e autoridade cruel. Sabemos que nos jogos de poder e reconhecimento que caracterizam o desenvolvimento institucional dos direitos LGBT+, os circuitos LGBT+ permanecem um espaço inseguro para muitxs — incluindo mulheres, pessoas pobres, pessoas trans, pessoas não-brancas, pessoas assexuais, pessoas com diversidade funcional, pessoas neurodivergentes, pessoas seropositivas, e muitxs, muitxs mais…

Ao contrário do que muitxs pensam: não, a luta não se esgotou. Antes, mal acaba de começar. Por isso afirmamos-nos enquanto frente conjunta anti-capitalista e anti-classista, feminista e anti-transfóbica, anti-racista e anti-xenofobia, anti-capacitista e anti-opressão, inclusiva e interseccional. Acreditamos que respeitando a interseccionalidade das práticas e identidades compreendemos-nos melhor umxs axs outrxs e criamos melhores estratégias de resistência. Sentimos que é precisamente na afirmação multiplicada das nossas diferenças e variações e multiplicidades que fazemos em conjunto a nossa aprendizagem: uma aprendizagem contra a violência da norma, contra o Ocidente omnipotente, contra a desumanização das minorias, contra o patriarcado sistemático, contra a Fortaleza Europa, contra o capitalismo voraz, contra as hierarquias dos desejos e dos corpos…

Se te comprometes com os mesmos princípios e procuras participar em e criar para xs outrxs um espaço inclusivo e construtivo para a afirmação destas lutas, junta-te ao Pink Bloc. Vamos agrupar-nos na tarde da Marcha, 18 de Junho, uma hora antes do seu início, com materiais de protesto, glitter em quantias obscenas, e biscoitos (!) — e seguir juntxs enquanto bloco na Marcha. Vem também!

Até breve.

Esta iniciativa conta com o apoio dos colectivos:

> Jacobichas
> Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa (CEL_Lisboa).
> Queering style (Queering style).

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