Perfil de estilo: Alexa Santos
22/01/2016
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Alexa Santos, Lisboa

A Alexa é analista de dados durante o dia e depois faz o dia ter mais umas horas para fazer voluntariado. Tem um estilo dapper há cerca de 5 anos e desde 2013 gere o blog de moda queeringstyle.tumblr.com e agora o site com o mesmo nome. É trigémea, e não pode viver sem um bom par de sapatos.


 

O que gostavas de partilhar de ti?

Comecei o queeringstyle no tumblr porque não sabia de ninguém que se vestisse como eu. Quando comecei, haviam algumas pessoas que estavam a começar um movimento ‘dapper queer’ (onde o clássico masculino é transgredido por corpos de mulheres ou trans, e onde o privilégio de usar elementos de roupa considerados masculinos não é só de homens cis mas de todas as pessoas que gostem dos mesmos independentemente do seu género). Utilizar gravatas e laços é algo recente para mim mas que me dá um gozo muito grande. A possibilidade de transgredir convenções de roupa, porque não me identifico com um só género, é muito importante para a minha auto-confiança e para conseguir viver o meu dia-a-dia.

 

Como defines o teu estilo?

O meu estilo é principalmente cuidado, composto por peças de vestuário ditas masculinas, incluindo acessórios vários como laços, gravatas e lenços de bolso. Eu definiria o meu estilo como dapper queer colorido. Gosto muito da ideia do clássico transgressivo em que não há limites de cor ou padrão.


(camisa: Springfield, calças: GAP, cinto: Pull and Bear, meias: eram da minha irmã, sapatos: Shoe Embassy)


Qual é o teu/a tua icon de moda e porquê?

O meu icon de infância é a minha mãe. Eu sei que parece cliché mas, hei-de para sempre lembrar-me de como ela aplicava maquilhagem de manhã antes de irmos para a escola e eu ficava em cima do tampo da sanita a olhar para ela a arranjar-se. Sempre teve muito gosto na roupa e ensinou-me muito sobre como cuidar da minha.

 

Quanto do teu estilo é influenciado pela tua identidade?

Tudo. Não existe uma diferença clara entre um e o outro. Sinto que o meu estilo espelha a minha identidade. Que o que visto é no sentido da minha visibilidade, logo tudo.

 

Quais são as peças de roupa favoritas que tens no teu armário e porquê?

Umas calças que eu tenho roxas e um laço branco e preto que era do meu pai. Foi o meu primeiro.


 

(camisa e meias: Springfield, cardigan: Zara (Boys), lenço: era da minha mãe, calças: GAP, sapatos: Shoe Embassy)


 

Onde costumas fazer as tuas compras? E qual o teu sítio favorito para comprar roupa?

Eu compro roupa um pouco por todo o lado. Mas tenho algumas regras. Não comprar fora dos saldos. Os saldos são demasiado frequentes para comprar roupa no seu preço por inteiro. Penso bem no que quero comprar, antes de ir. E prefiro qualidade a quantidade. O meu último feito foi comprar calças na Zara Kids por 9.99€.

 

Qual é o teu maior desafio quando vais às compras?

Encontrar coisas no meu tamanho, como visto um número pequeno e prefiro roupa da secção de homem, normalmente não encontro roupa do meu tamanho. Acabo sempre na secção de criança.

 

A comprar roupa, qual foi o teu maior fail?

Sempre que compro roupa que acabo por não vestir. A última que me aconteceu foram uns calções salmão da Bershka for men (é boa porque tem XS para homem na maioria dos artigos) e acabei por nunca os vestir.


 

(gravata: Primark. blazer: Bershka. calças: Zara. camisa: Benetton (2ªmão). suspensórios: H&M. sapatos: Shoe Embassy)


 

Achas importante a visibilidade queer, porquê?

Para mim a visibilidade é algo importante porque, sem visibilidade não temos diferença e sem diferença não temos entendimento. Não chegamos a lado nenhum para além de nós. E para mim é curto. Acho que saindo de mim, conhecendo outras pessoas é que posso ser mais eu. A visibilidade queer mais ainda porque, a mim por exemplo, fez me entender que há mais como eu no mundo. Que não é estranho nem mau ser como sou. É muito importante para mim.

 

Achas que a moda ajuda a criar espaços inclusivos, de comunidade e expressão diferenciadas?

Acho que sim. Acho que a forma como vestimos ajuda-nos a encontrar pares e para ainda mais que isso, ajuda-nos a ser mais iguais ao que temos dentro de nós. A moda é um indústria como as outras mas ao mesmo tempo usando-a, subvertendo-a, criando estilos e contra cultura, podemos encontrar espaços de comunidade através dela.


 

A Alexa pode ser encontrada também aqui, e os seus artigos no QS estão aqui.

 

Queering style

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O queeringstyle é um espaço queer feminista, que tem como missão a visibilidade de discursos, de identidades variadas para que pessoas possam falar de si, estar e ocupar espaço.
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