Não precisa dizer.
28/07/2016
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Ela tem olhos daqueles que dizem que me querem toda, sempre.

E toda não é um bocadinho, não é nem apenas a ideia de mim.

É eu toda,  certezas e carne, despida de roupa coberta de pêlos, olha para mim querendo-me em centímetros que só eu sei quantos são.

 

A pele dela apela ao meu desejo de estar, permanecer até.

Gosto que o cheiro dela fique em mim, nos meus lençóis para que dias depois possa molhar-me só de me deitar.

Os lábios dela, húmidos da língua que se atreve, mordem-se, dispõem-se, a ficar “enquanto me quiseres” diz ela.

As pontas dos seus dedos mostram-me caminhos que se encontram por todo o meu corpo.

Sobem-me (mamas), percorrem-me (curvas).

Dedos que entram em espaços tapados, desapertando cintos, rasgando tecidos.

 

Nas suas mãos agarro-me, desfaço-me em suores, gemidos de quem nao quer que pare nunca ou que aquele momento dure para sempre.

Nas palavras surdas que ela não precisa dizer, sinto tremores e arrepios pela espinha, de ideias de línguas amassadas, pescoços afagados, e sexos molhados que se juntam e se dão ao desfrute um do outro.

Que se desfrutam um com o outro.

Entra em mim, vem sem medo e faz-me saber que o prazer é para mim sem nem dizer, dizendo.

 

Poema lido no lançamento da zine “PPKdanada” no dia 27 de Julho na Zaratan

Alexa Santos

Alexa Santos

Depois de anos sem encontrar um espaço que pudesse chamar seu, Alexa criou o queeringstyle. No início uma página de Tumblr, hoje um espaço para pessoas que queiram falar, estar, partilhar. Não sabe muitas vezes parar porque, tudo o que faz vem do centro do peito. Gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, por isso é possível que se encontrem algures. Se sim, não deixes de dizer olá.
Alexa Santos

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