MP e Bárbara – sobre lesbofobia.
11/01/2017
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Falamos sempre de visibilidade, da possibilidade de sermos quem somos onde for.

Há apologistas que o amor entre duas pessoas do mesmo sexo deve ficar entre quatro paredes. Diz-se, ninguém tem nada a ver com isso. Também ninguém devia ter nada a ver com um casal de mulheres que se despde na rua com um beijo, ou não?

Depois de eu (MP) abraçar a Bárbara (namorada) e darmos um beijo de despedida para ela ir trabalhar, ouvi insultos e fui ameaçada por um homem sentado numas escadas, na Rua Santa Catarina, no Porto.
Chamou-me várias vezes de “porca” e ameaçou-me com chapadas.

Ao fim de encontrar a polícia, o agente dirigiu-se ao local, mas o sujeito já não se encontrava lá. Por isso não houve como o identificar. O agente da polícia disse que se podia apresentar queixa até 6 meses depois do acontecimento. Aconselhou-me a ligar imediatamente para a polícia logo que encontrasse o sujeito na rua em qualquer momento. Isto para se dirigirem lá, identificarem e eu poder apresentar queixa.
Neste momento, estamos a tentar encontrar o suspeito.

Estava em plena luz do dia, com centenas de pessoas a passar. Todos olhavam, apercebiam-se do que se estava a passar e ninguém fez nada. É triste e revoltante saber que vivemos rodeados de pessoas egoístas e cheias de preconceito.
Já tive alguns episódios de homofobia. Inclusive disseram-me que “nem os bichos faziam isso”. Esse episódio aconteceu durante uma viagem nos comboios urbanos do Porto e mesmo estando a pessoa aos berros enquanto me insultava, também ninguém se sentiu capaz de intervir.

Estará o Porto assim tão habituado à homossexualidade? Já me disseram várias vezes que o Porto lida bem com diversidades. Mas desde que vim para cá viver acontece tudo ao contrário.
Onde ficamos nós no meio disto tudo? Como é que nos vamos sentir seguras, nós lésbicas, nós mulheres, se somos ameaçadas e estamos sozinhas, independentemente se existem entre nós milhares de pessoas?

Falo de nós lésbicas, nós gays, nós trans, NÓS. NÓS.
Somos gente. Não somos invisíveis.

Estou nesta luta constante há 14 anos. E mesmo depois de 14 anos ainda não me sinto segura. Uns dizem para eu ignorar e seguir em frente. Outros dizem para eu me habituar e seguir em frente.
Seguir em frente? Eu não posso seguir em frente sabendo que existem pessoas a serem agredidas pela sua orientação sexual. Eu não posso seguir em frente sabendo que o mundo não nos aceita. Eu não posso seguir em frente sabendo que somos mantidos como insignificantes. Não me peçam para ignorar ou me habituar. Recuso-me.
Chamam-me de louca por o fazer. Mas continuem a chamar-me o que quiserem.
Só não se esqueçam que eu quando entro em batalha, luto com todas as minhas forças e é sempre para vencer.

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