manifesto queer
23/10/2016
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Transcrevo excertos do primeiro texto que li na apresentação na malavoadora.porto, na apresentação inserida no Queer Porto 2. É um texto que, de alguma maneira, enquadra as minhas pesquisas quanto ao ato performativo,  em específico nesta próxima apresentação, na Rua das Gaivotas 6, dias 27,28 e 29 de outubro, às 22h.

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Como é que uma coisa não-pessoal, não-autobiográfica é queer?

Como é que uma coisa que não falha é queer?

Como é que a aceitação pacífica de um modo de apresentação performativa é queer?

Como é que um evento performativo sem ligações afetivas e de quebras/complexos/problemas emocionais é queer?

Como é que uma coisa segura é queer?

Como é que uma blackbox é queer?

Como é que a estética de classe média alta desligada de discurso crítico é quer?

Como é que um acontecimento performativo onde a entrada é paga é queer?

Como é que a estabilidade é queer?

Como é que algo com um único formato é queer?

 

 

achei que faltava trabalho” “estava pouco sólido” “pareceu-me o início de alguma coisa”  não serão estes pensamentos derivativos de um canône tornado invisível pela insistência num trabalho de estruturas e não de posições ou experiências?

 

             Como é que a estruturação dramatúrgica é queer?

 

 

Não consigo conceber uma apresentação “final” para este projeto. Aquilo a que estão a ter acesso é uma coisa em processo, um testar de materiais, uma colagem dramatúrgica, uma exposição de pensamento. Neste projeto incluo várias pessoas, como a Ágata Pinho, a sallim, a Isadora Monteiro, o João Abreu e a Alice dos Reis. Nem todas fizeram coisas que se materializaram já nesta apresentação: umas estão ainda a fazer, outras ainda não começaram. O que me interessou, quando as convidei, era ouvi-las, partilhar inquietações, debater, propor ideias e, acima de tudo, partilhar tempo e espaço. São pessoas que admiro e das quais gosto muito, ainda que não o saibam.

Há cerca de um ano atrás, neste mesmo espaço, apresentei um rascunho do que poderia ser este projeto, chamando-lhe na altura “uma peça”, com o título “V, ou finalmente a casa amarela”. Propunha-me a procurar uma construção sem limites espacio-temporais onde aquelas que morreram co-habitam com aquelas que vivem agora, propondo um espaço interseccional a que eu chamo de casa. Oscilava entre pertencer e não pertencer e os meus próprios processos acabavam por sofrer com a minha confusão. Apresentei, a meio deste ano, uma “peça”, neste espaço também, a que chamei de “OP.20” – não tinha noção o quão importante viria a ser ; quer a nível emocional, de pensamento ou de prática artística. Tentara contar “a minha história” através da história do lago dos cisnes, uma história de obsessões, magia negra, códigos românticos , visualidade e desejo e identidades massacradas pelo corpo que têm e cujo afeto que dão não é devolvido. Um contar de mim através de uma identificação minha com Odette, a personagem central. A análise dessa identificação, e a sua consequência, levaram-me a repensar aquilo que queria com este projeto, o “V”. Uma série de experiências e ocorrências durante o período de tempo da peça até aqui levou-me ao que vos apresento aqui hoje.

 

Exijo a fragilidade como espaço digno, a delicadeza como espaço de tempo-pormenor, a autobiografia como análise e como resistência a tudo o que legitima a prática artística e que é exterior à mesma

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