Livro: Os loucos também dançam por Valentina Ferreira
23/11/2017
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Os loucos também dançam por Valentina Ferreira
Os loucos também dançam por Valentina Ferreira

“Os loucos também dançam” marca a minha estreia em Portugal, editado pela Flybooks, cinco anos após o meu último romance (“A Morte é uma Seria Killer” – Editora Estronho), no Brasil. Em Portugal só havia editado em duas antologias de contos. Demorei cerca de dois anos a escrevê-lo, obrigando-me a uma paciência que antes não tinha.

Fala sobre Dimitri, um aspirante a pintor que, por achar que o seu talento não é reconhecido, decide raptar e matar mulheres para, depois, abandonar os corpos pintados. Sabendo que seria apanhado – e fazendo por isso – rapta Patrícia, uma biógrafa, para que esta escreva sobre a sua vida. A inevitável convivência leva-os a uma partilha muito íntima de sentimentos e tragédias e apaixonam-se.

A editora chama o livro de policial e thriller. Honestamente não sei que género é. Fujo um bocado às “regras” desses géneros e concentro-me mais no interior das personagens, principalmente das más. Gosto de escavar a mente delas. E, tal como no “A Morte é uma Serial Killer”, concentro-me em dar um contexto para tanta maldade, embora não justificando o que elas fazem, utilizando analepses.

É interessante ver a reação do leitor: posso ter pena do mau? posso sentir outras coisas por este personagem, que comete tantas atrocidades, que não raiva? Deixo um spoiler, que é esperado desde o início: Dimitri é preso e condenado. Mas sobra Patrícia… e aquilo que sobra dela depois de uma viagem interior alucinante e de uma paixão avassaladora. Apesar de Dimitri ser uma figura de destaque e, inicialmente, até parecer que é o centro do enredo, será Patrícia a revelar-se, gradualmente.

Do outro lado da moeda está Brazão, o inspetor a quem calhou o caso, que se vê confrontado com a sua (in)capacidade de trabalho, pois era a primeira vez que um assassino em série atuava na região.

O livro é muito sonoro. Está dividido em cinco partes (Valsa, Paso Doble, Tango, Jazz e Quick Step) e os capítulos levam títulos de música, livremente traduzidos por mim, consoante o estilo musical. É um crescendo de ritmo e de emoção, com alterações constantes. Escrevi cada capítulo ao som daquela específica música, portanto, ela está lá. Seria interessante que o leitor também a ouvisse durante a leitura.

É uma história sobre loucura: a do assassino, a da biógrafa, a minha própria loucura e a do leitor. E todos nós dançamos, em determinado momento da nossa vida, literal ou metaforicamente, não é verdade? Estamos todos ligados por alguma coisa, mesmo quem se coloca em bicos de pés e aponta o outro como “louco”.

O livro pode ser adquirido comigo ou através do site da editora.

Valentina Ferreira
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