Liniker e os caramelows
02/07/2017
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Quando chegas cedo a um evento e não está mais ninguém para esse evento, só pode querer dizer que a ansiedade era tanta que o rabo não conseguiu ficar alapado no sofá nem mais um minuto à espera para que a hora chegasse para o concerto começar.

Imediatamente após o cara no livro anunciar a vinda desta banda maravilha a Portugal começaram a chover mensagens no meu telefone de pessoas a perguntar: Vais? Seguido do comentário: Não acredito que vais perder e eu ainda estava naquela de, quê, quando, comoooo assiiim.

A minha felicidade é que era início do mês e então não tive de pensar duas vezes e comprei o bilhete que todos os dias olhava para mim na expectativa que este momento chegasse, de estar à porta de nervo miudinho para o concerto começar, mais de meia hora antes da hora para o início.

Ainda na fila já via caras conhecidas que entretanto começavam também a chegar. Por ter sido a primeira pessoa a entrar pude escolher exactamente o sítio onde queria ficar e exactamente à frente do Palco foi onde fiquei.
Mais pessoas amigas se juntaram perto de mim que vieram sozinhas, que foram com a amiga da amiga. Sei que a certa altura já éramos muitas à espera, ansiosas que a poesia nos invadisse e que a magia de Liniker nos curasse de todos os males.

Apontam as primeiras luzes para o centro do palco e aconteceu tudo naquela hora e qualquer coisa dentro daquelas quatro paredes, uma catarse, um verdadeiro exorcismo feito de lacração, beijos no ombro, muito voguing, amor e coração no chão.

Chorou-se, riu-se e dançou-se. Proclamaram-se promessas de amor eterno por agora com olhares profundos e pequenos gestos em pontas de dedos. Disse-se ao mundo do alto de cada pulmão presente que não importa se não me queres, agora eu que não quero mais. Gritou-se Tua, porque ao mundo vamos e do mundo viemos e não há palavras para o que no meio de selfies, lanternas ligadas e algumas lágrimas espalhadas se viveu naquela noite.

Foi mágico, é mágico. Lembrou-me da possibilidade de sentir, de me deixar tocar pela beleza e pela força do que se diz, do que se canta, enquanto se dança. Fez-me acordar um bocadinho interior que andava meio apagado que me diz, podes conquistar o mundo. E vou, com Liniker sou capaz de tudo. De ir ao céu e voltar, de dar tudo e de ter tudo para dar. De me encher de poesia ao mesmo tempo que não digo nada de jeito. De tudo.

Ao saber que a hora do fim estava a chegar, sem mais espaço interior por encher, percebo que tenho o metro para apanhar e que o dia seguinte é dia de trabalho como outro qualquer no entanto, tinha estado no céu, num outro mundo, numa realidade qualquer paralela que torna tudo possível e por isso, na altura dos últimos acordes, da foto final com o publico, eu sabia que ia sair dali e o mundo era meu para conquistar.

Mais fotos: http://blog.linikereoscaramelows.com.br/2017/06/lisboa-music-box/ por – Leila Penteado

Alexa Santos

Alexa Santos

Depois de anos sem encontrar um espaço que pudesse chamar seu, Alexa criou o queeringstyle. No início uma página de Tumblr, hoje um espaço para pessoas que queiram falar, estar, partilhar. Não sabe muitas vezes parar porque, tudo o que faz vem do centro do peito. Gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, por isso é possível que se encontrem algures. Se sim, não deixes de dizer olá.
Alexa Santos

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