Feminista hoje (a tentar encaixar-me nestas lutas)
17/12/2017
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Sabia que era preciso fazer várias lutas.
Mas as armas que eu tinha não eram muitas.
Eram duas pernas para fazer caminho, dois braços cansados para tratar dos estragos, dois olhos encharcados, uma boca seca e uma garganta dorida acompanhadas de um coração que batia uns dias mais que outros.

Os ouvidos gritam: somos pequenas gigantes e os nossos passos são um de cada vez, em frente, esperamos. Seguramo-nos entre dedos entrelaçados que estremecem como joelhos enfraquecidos por sustentarem corpos tão apaixonados, ali, naquele momento parece que estão a aprender a andar talvez porque o caminho seja tão longo nesta luta contra o que oprime e tenta diminuir.

O caminho já se faz há tanto tempo que temos de ir juntas para assim sabermos que vamos conseguir, mesmo que tantas vezes tão pouco em tanto, tantas vezes só umas com as outras sabemos que vamos bem.

É tantas vezes solitário este caminho, cansativa a caminhada. Não percebem porque é que tens de ser tu e não é outra pessoa a lutar. Porque é que não és como toda a gente. E eu teimo em não querer perceber porque é que toda a gente não é como eu.

É longa a viagem porque se andássemos todas juntas o caminho não era tão longo e a caminhada não era tão difícil porque pelo menos tínhamos​-nos umas às outras para desmantelar as armas do opressor inventando formas diferentes de ser e de estar umas com as outras, a lutar. Mas, é tão difícil concordarmos sobre que armas usar e quando mais conversamos menos fazemos e não é isso que o opressor quer?
O amor também é uma arma de destruição e por isso sei que a luta é possível e um dia quem sabe ganhar mais que batalhas e acabar-se com as guerras.

Pela ocasião da publicação da agenda feminista 2018 desafiaram-me a escrever uma qualquer coisa.

Foi isto que saíu

Alexa Santos

Alexa Santos

Depois de anos sem encontrar um espaço que pudesse chamar seu, Alexa criou o queeringstyle. No início uma página de Tumblr, hoje um espaço para pessoas que queiram falar, estar, partilhar. Não sabe muitas vezes parar porque, tudo o que faz vem do centro do peito. Gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, por isso é possível que se encontrem algures. Se sim, não deixes de dizer olá.
Alexa Santos

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