Asas de um sonho
14/02/2016
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Gostava de saber escrever
Sobre o amor. E não sei.

E talvez seja presunção minha achar que sei
Escrever sobre qualquer coisa que seja.

Estou parada a olhar para uma
Folha vazia e a pensar em ti.

A desenhar contornos invisíveis do teu corpo
Com a ponta dos meus dedos.

Linhas suaves que se deitam
Comigo todas as noites.

Que se dissipam com o sopro
Da minha boca.

E morrem no limiar
Da sede.

A gota de água temida
No deserto mais quente.

Acordei com o alvorecer, e da minha janela,
Vi o sol a beijar ternamente a lua.

A envolvê-la nos seus
Longos braços.

E a lua apagou, lentamente,
A sua luz, sorrindo.

Adormeceu, serena, deitada
Nos raios do sol.

Contei, também, as flores
Do meu jardim.

As pétalas que o meu olhar
Encontrava no chão.

As papoilas nuas mostravam-se frágeis
Com o beijo do vento.

E curvavam levemente
Os seus corpos.

Invejei as flores, sabes?

Tive vontade de despir a roupa,
E ir para o jardim.

Apagar, sem medo, a luz
Do meu olhar.

Sentir a tua língua a navegar pelo meu corpo,
Todo ele gelado, pelo toque efémero do vento.

Mas permaneci quieta a olhar-te
No fundo de mim.

E, diante da fonte inesgotável do tempo,
Quis fechar as cortinas vermelhas do espectáculo.

Subir em cima da velha secretária
De madeira e voar.

Pousar as asas magoadas de um
Sonho na lua mais distante.

Morar no teu céu.

A folha continua vazia de palavras,
Talvez amanhã possa escrever,
Escrever-te com amor.

Castiel

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