Arranjo ou nem por isso?
22/01/2016
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Cada vez mais criámos o hábito de ir à loja e comprar feito.

Dizemos: “Estou a precisar de calças novas” e acabamos sempre por ir a um qualquer centro comercial (daqueles que nos queixamos que há em todo o lado e que não gostamos nada de lá ir), à procura do par de calças perfeito de que estamos mesmo a precisar.

Quando a compra e venda de roupa não era talhada para um mercado de consumo e uma economia capitalista, a roupa tinha-se pouca mas de qualidade. Sabíamos que era feita pela senhora do bairro, que nos conhece “desde que eras deste tamanho”, por um preço justo, que nos mostrava não só o trabalho importante na criação da peça mas também valorizava a mão de obra que era investida nessa peça.

Hoje em dia dizemos que não temos dinheiro para isso, que é mais fácil ir à loja e que não sabemos quem faça “essas coisas”.

Assim, compramos já feito, standardizado, lemos na etiqueta o nome de um qualquer país exótico onde foi fabricado pelas mãos de alguém mal pago e em condições precárias. Mas, não faz mal – porque assim, podemos comprar muito, ter muito e andar sempre bem (e iguais a toda a gente. Sim, porque toda a gente conhece os mesmos sítios e compra as mesmas coisas). “É a moda!”

“Vou mandar arranjar” é uma frase cada vez menos usada. “Depois mandas apertar” normalmente vem seguido de “ah, não, isso da muito trabalho”. As calças são feitas para mulheres de perna longa mas não faz mal, faz-se moda virar as bainhas para cima.

No pouco tempo que temos para a nossa vida diária, para cuidarmos de nós, temos também pouco tempo para a nossa roupa e assim, compramos em cima da hora, porque tem mesmo de ser.

Neste tempo não há momentos de provas, de alfinetes, vem tudo pronto e já com os acabamentos. A resposta “Mandei fazer” quando se pergunta, “Onde é que compraste?” já não existe no nosso vocabulário.

Recentemente pedi a uma estilista para acrescentar alguns promenores a uma camisola lisa, de cor sólida que eu tenho. Imediatamente as pessoas assumem que este não é o trabalho criativo de uma pessoa, e sim algo comprado em série numa loja qualquer.

O que quero dizer é, cuidem mais de vocês. Passem tempo com a vossa roupa, comprem menos e melhorem-na mais, ao vosso gosto. Para vocês.

A loja a, b ou c não vos conhece, não sabe do que é que vocês gostam. “Mandem arranjar”, procurem acrescentar. Porque assim, a vossa roupa torna-se a vossa, e não a de toda a gente.

Give it a shot como diriam os Ingleses. Por terras lusas mais, porque não tentar?

 

Alexa Santos

Alexa Santos

Depois de anos sem encontrar um espaço que pudesse chamar seu, Alexa criou o queeringstyle. No início uma página de Tumblr, hoje um espaço para pessoas que queiram falar, estar, partilhar. Não sabe muitas vezes parar porque, tudo o que faz vem do centro do peito. Gosta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, por isso é possível que se encontrem algures. Se sim, não deixes de dizer olá.
Alexa Santos

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