Ao dizer: “Sou lésbica.”
13/03/2016
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Ao dizer: “Sou lésbica.” vinculo o facto de ser MULHER!

Para uma mulher ainda pode ser um desafio assumir-se como lésbica, por ter de viver sem aceitação social, ainda que já exista protecção legal.

Assumir-se pode implicar uma vida de lutas, de dificuldades, de medos, de rejeições ou de aceitações parciais.

Ainda (e digo ainda, porque acredito que um dia deixará de o ser) é difícil ser-se lésbica numa sociedade heterossexista, preconceituosa e discriminatória. Nela, as lésbicas são muitas vezes forçadas a ser invisíveis, porque desejam sexual e sentimentalmente outras mulheres, contradizendo a norma androcêntrica de uma sociedade, na qual as mulheres devem estar disponíveis para serem desejadas e para atenderem ao desejo dos homens.

A mulher na prática, não tem direito, a uma sexualidade própria, esta é vista em função da sexualidade masculina que como tal, é frequentemente anulada. Esta realidade assenta na linhagem obsoleta da família tradicional, sendo esta nada mais do que uma unidade económica, em que a sexualidade foi sempre dominada pela ideia da reprodução.

Num século em que as ciências físicas, químicas e biológicas não param de evoluir e de serem divulgadas novas descobertas, as premissas das ciências sociais parecem, todavia, não chegar nem ao comum dos cidadãos, nem a uma grande parcela da classe política. Por essa razão, a exclusão e marginalização a que as mulheres lésbicas ainda estão sujeitas reafirma muitas vezes a imposição da vivência clandestina e silenciosa das emoções, o não compartilhar os seus amores, os seus sonhos e o seu quotidiano com a família e com os amigos.

A sociedade força e aproveita este silêncio, na tentativa de eliminar a diversidade, como se, negando a homossexualidade (neste caso particular o lesbianismo) pudesse impedir a sua existência. Deste modo, remete a mulher, uma vez mais, para uma anulação da sua sexualidade.

Trago para este texto um desafio: transformar o mundo em algo mais acolhedor para todas as pessoas. Para tal, tornemo-nos todxs mais visíveis, porque o que não é visível não incomoda, não existe, não reivindica para si direitos e bem estar, não subverte a ordem do poder. Quando não o fazemos “damos de barato” a ideia, que de alguma forma, aceitamos normas sociais que nos subestimam, diminuem, guetizam e enfraquecem.

É urgente construir um espaço, um mundo em que todas as pessoas estejam seguras, independentemente das características da sua sexualidade, do seu sexo ou do seu género.

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