Ativismos
Acordar à direita.
09/11/2016
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“To those who can hear me, I say – do not despair. The misery that is now upon us is but the passing of greed – the bitterness of men who fear the way of human progress. The hate of men will pass, and dictators die, and the power they took from the people will return to the people. And so long as men die, liberty will never perish.”

Não é de hoje mas hoje que o mundo acordou mais vermelho, e virado mais à direita temos de pensar, temos de refletir:

 What the fuck is happening with the world. 

Não é somente porque a maior potência económica do mundo elege um homem misógeno, racista, xenófobo que nos seus negócios nunca teve em conta economias locais e questões ambientais e sociais.

Não é somente porque as pessoas dos Estados Unidos são burras e votam em maioria (maioria quando o voto não é obrigatório e a taxa de abstenção é normalmente superior a 50%) num homem que quer impôr barreiras migratórias a um país que existe por causa dos constantes fluxos de pessoas de todos os cantos do mundo.

Não é somente vermos um homem sem ética gerir a maior economia do mundo quando, o próprio declara gerra económica à China e, ao mesmo tempo não propõe qualquer tipo de políticas concretas para um país onde neste momento vivem 319 milhões de pessoas.

Não é somente isso, é tanto mais. 

Foi no outro dia que vimos o Reino Unido votar em massa para sair da União Europeia com a crença de que, agora sim, os imigrantes deixam de nos roubar o trabalho sem que as pessoas se informassem das consequências reais ao nível económico e social dessa escolha.

A política é cada vez mais uma questão de marketing. Quanto mais tempo de antena tens mais influencias um grupo de pessoas. Quando mais a tua imagem aparecer nos meios de comunicação que as pessoas mais utilizam (que normalmente pertencem exactamente às pessoas que estão no poder ou na política), mais as pessoas acreditam no que dizes. (Sabem aquela música que toca na rádio e nós até não gostamos muito mas depois de a ouvir tantas vezes até passamos a gostar, é por aí).

A política é cada vez mais um jogo de popularidade. Não é preciso de ter ideias claras, propostas concretas, precisas que falem de ti, de criar estratégias para saber o que é que aquela pessoa que tu sabes estar com medo, receosa do seu futuro, por ideias estereótipadas e ignorantes, quer ouvir. Essa é normalmente a maioria.

Por isso vemos cada vez mais países elegerem representantes com políticas de direita, que prometem acabar com todas as coisas que fazem as pessoas sentirem-se desconfortáveis. Esse desconforto vem somente do desconhecimento, das pessoas não se darem com pessoas diferentes de si e não saírem dos seus circulos. Mais uma vez, esta é a maioria.

Por isso também, estes sentimentos de indignação não podem ser somente em relação a uma nação. Não podem aconteceer esporádicamente quando algo no mundo acontece que nos faz lembrar que a política mundial está cada vez mais separatistas, fachistas, intolerante, fechada e ignorante relativamente às necessidades de um mundo cada vez mais globalizado e diversifiacado.

A indignação tem de se tornar numa política diária de resistência. Não podemos mais acordar todos os dias e fazer a nossa vida sem contribuir para a mudança daquilo que nos indigna.

Apatia é um luxo.

Temos de nos politizar, ter opinião, falar e fazer. Criar contra discursos e práticas que mostrem que o mundo pode ser melhor, que não tem de ser somente neoliberal, capitalista, de direita, incapaz de olhar para fora de si, incapaz de pensar fora do lucro, da imagem de marca, do que vende.

O que nos indigna não nos pode paralizar, é cada vez mais urgente fazer-se pela mudança todos os dias. Posicionarmo-nos concretamente, sabermos sobre os assuntos, termos curiosidade para perceber mais e reagir.

Reagir – Agir!

 

Queering style

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O queeringstyle é um espaço queer feminista, que tem como missão a visibilidade de discursos, de identidades variadas para que pessoas possam falar de si, estar e ocupar espaço.
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