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8 Artistas Queer Que Tens de Ouvir
30/01/2016
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8. Tegan and Sara

Álbum preferido: The Con (2007)

Músicas que recomendo: Living Room, The Con, Back In Your Head, Where Does the Good Go, Hop a Plane, Nineteen, Closer, Northshore, Wake Up Exhausted, Walking With A Ghost.

Tegan and Sara são as gémeas Canadianas mais conhecidas do mundo queer. Ambas lésbicas e com uma carreira de vinte anos no bolso,  as suas músicas com origem no folk e pitadas de pop rock são a banda sonora de muitos momentos importantes na vida de quem está descobrir a sua identidade.

Para além da parte musical, Tegan e Sara Quin são muito vocais quanto à sua sexualidade, ao fazerem parte de grandes campanhas de apoio relacionadas com a juventude queer ou com o casamento gay.

Recomendo em especial o álbum The Con por ter sido o primeiro que ouvi e continuar a achar que é talvez o melhor conjunto de canções que a banda editou até hoje.


7. Mary Lambert (2014)

Álbum preferido: Heart on My Sleeve

Músicas que recomendo: She Keeps Me Warm, Body Love, Ribcage, Secrets, I Know Girls.

Em 2012 a música Same Love de Macklemore & Ryan Lewis deu a conhecer ao público a voz doce de Mary Lambert. Em 2013 esta editou um livro de poesia intitulado “500 Tips For Fat Girls” integrando-se perfeitamente dentro do movimento Body Positivity. Através de Spoken Word, Mary mostra a sua vulnerabilidade, abordando temas muito sensíveis, como por exemplo, a sua doença bipolar, o ter sido vítima de abuso sexual em criança, a sua sexualidade ou a sua imagem. Em 2014 Mary editou o álbum de estreia “Heart on My Sleeve” juntando a sua voz a melodias pop com letras muito pessoais.


6. Holly Miranda

Álbum preferido: Holly Miranda (2015)

Músicas que recomendo:  Waves, All I Want Is To Be Your Girl, The Only One, Lover You Should’ve Come Over (cover de Jeff Buckley), Mark My Words, Everlasting.

Holly Miranda é uma multi instrumentalista, cantora e compositora com dois álbuns a solo, no entanto a sua carreira começou com um outro projeto chamado The Jealous Girlfriend, que ganhou maior exposição quando a música “Lay Around” fez parte da banda sonora da série The L Word. Curiosamente em 2012, Holly foi namorada de Kate Moennig, a atriz que interpreta Shane na série. Conhecida pelas suas interpretações cheias de alma de clássicos como “Lover You Should’ve Come Over” de Jeff Buckley, “I’d Rather Go Blind” de Etta James ou “Let’s Get It On” de Marvin Gaye, Holly Miranda cativa a atenção de qualquer ouvinte numa questão de meros segundos. Em destaque, o vídeo para o primeiro single “All I Want Is To Be Your Girl” do seu mais recente trabalho (o disco homónimo Holly Miranda de 2015) onde Holly aparece a tocar num circo rodeada por personagens extravagantes, coloridas e muito queer.


5. Kaki King

Álbum preferido: Junior (2010)

Músicas que recomendo: Sunnyside, Pull Me Out Alive, Spit It Back In My Mouth, Gay Sons of Lesbian Mothers.

Em 2006 Kaki King foi a única mulher (e a pessoa mais nova) a fazer parte de uma lista da revista Rolling Stone sobre os melhores guitarristas do momento. Por consequência foi convidada por Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) para fazer uma digressão com os Foo Fighters em 2007. Com uma mão cheia de álbums editados e projectos artísticos que vão além da música Kaki é uma artista única, com uma sensibilidade fora do comum. A sua presença ao vivo é fascinante, tanto pela sua forma peculiar de tocar guitarra como pelos seus monólogos engraçados e sarcásticos durante os intervalos das canções. Para além de Dave Grohl, Kaki King também já partilhou o palco com Tegan and Sara e colaborou com Eddie Vedder na banda Sonora do filme Into The Wild de Sean Penn.


4. Torres

Álbum preferido: Torres (2013)

Músicas que recomendo: Jealousy and I, Honey, When Winter’s Over, November Baby, Don’t Run Away Emilie, New Skin, A Proper Polish Welcome, Strange Hellos.

Ano 2012. Scott. Mackenzie Scott, era apenas uma estudante de música em Nashville, quando gravou o seu disco de estreia intitulado Torres. Não, não tem qualquer ligação com o jogador de futebol, é sim o nome artístico que Mackenzie adoptou em homenagem à sua avó. Torna-se quase impossível explicar a música de Torres com simples palavras. As letras são muitas vezes um mistério que acaba por fazer sentido apenas na sua voz e nos acordes flutuantes da guitarra eléctrica. No entanto é muito fácil dizer que Torres é um dos melhores álbuns de estreia que já ouvi, desde o primeiro vídeo ao vivo da mesma a interpretar “Jealousy and I” que me deixou completamente viciada. A parte sombria de Mackenzie é mais visível no seu segundo disco, Sprinter de 2015, onde podemos observar algumas semelhanças com PJ Harvey, contendo um rock mais cru e duro num momento e noutro uma voz suave que suspira palavras de redenção. Mackenzie demonstra ser uma pessoa reservada quanto à sua vida pessoal mas não esconde de todo o seu lado queer, seja através do seu estilo individual, das várias personagens femininas que habitam as suas canções ou através das influências musicais e literárias (Brandi Carlile e Virginia Woolf por exemplo). Torres faz parte do meu onze ideal e dificilmente haverá alguém que consiga marcar um penalty direto ao meu coração como Mackenzie Scott.


3. Julia Nunes

Álbum preferido: Some Feelings (2015)

Músicas que recomendo: Make Out, Then Ok, Don’t Feel, Something Bad, Cool Thanks, I Will Go Anywhere With You, Locked In My Mind.

Na verdade a inspiração para esta lista foi Julia Nunes e o álbum Some Feelings, porque este tem sido a minha primeira escolha para começar o dia desde há umas semanas. Para aqueles dias cinzentos, para os dias de sol no Inverno, para os dias em que a chuva acompanha o ritmo do ukelele, para os dias em que só queres ficar em casa abraçadx à tua pessoa favorita… este disco  tem a fórmula certa para qualquer momentos. Nunca tinha ouvido a voz da Julia até ao ano passado, quando esta participou num vídeo da Danielle Owen Reis (do projecto Everyone Is Gay) e cantou sobre “como encontrar a rapariga dos teus sonhos”. Depois saiu o vídeo do primeiro single “Make Out” e não resisti, tive de ouvir o Some Feelings do início ao fim. E valeu a pena! Resumidamente, há cerca de oito anos atrás, Julia decidiu gravar alguns vídeos a cantar e a tocar ukelele, porque não gostava assim muito de ninguém na sua faculdade e estava aborrecida, o que não esperava era a quantidade de pessoas que continuaram a seguir o seu canal de Youtube desde então. Entre duas campanhas de angariação de fundos para gravar os últimos dois álbuns, Julia trocou Nova Iorque por Los Angeles, terminou uma relação de cinco anos e voltou a encontrar o amor ao lado de Danielle. O último disco reflete todas essas mudanças e as consequências das mesmas na vida da artista e a própria afirma que este é o álbum mais honesto da sua carreira. Julia também não esconde a sua adoração pelas redes sociais, nomeadamente twitter, instagram e principalmente o seu tumblr.  Nessa página podemos encontrar textos sobre o quão importante foi descobrir informações sobre feminismo ou sobre o movimento Body Positivity, com a qual esta se identifica. Fazendo questão de espalhar mensagens de auto aceitação, conforto e amor próprio acima de todas as críticas sociais e padrões de beleza irrealistas. A sua família esteve sempre ligada ao mundo da música, daí esta veia artística ser algo completamente natural para a luso-descendente. Sim, o apelido Nunes é português e até podem encontrar entrevistas feitas a Julia em 2012 para canais da televisão portuguesa.


2. Courtney Barnett

Álbum preferido: Sometimes I Sit and Think and Sometimes I Just Sit (2015)

Músicas que recomendo: History Eraser, Avant Gardener, Pedestrian at Best, Nobody Really Cares If You Don’t Go to the Party, Depreston, Out of The Woodwork, Aqua Profunda!

Courtney Barnett é uma liricista genial, uma guitarrista destemida e uma artista sem comparação. Esta Australiana de apenas 28 anos, veio acordar as mentes mais tranquilas que já não decifravam com muita atenção as letras de uma canção. Em Pedestrian at Best, Courtney recita palavras de uma densidade voraz ao estilo de Bob Dylan. Em History Eraser relata os acontecimentos mais improváveis de um encontro amoroso e em Avant Gardener descreve um ataque de asma, paralelamente associado a um episódio de ansiedade e pânico. Para além de ter a sua própria editora independente (Milk! Records) da qual faz parte a sua companheira, Jen Cloher, Courtney Barnett também criou o visual do seu disco de estreia, com desenhos de diversas cadeiras, remetendo ao título do álbum (tradução: às vezes sento-me e penso, e às vezes apenas sento-me). Os títulos das músicas podem ser muito simples e diretos como podem brincar com certas expressões. Uma qualidade muito apelativa para quem gosta de trocadilhos linguísticos, demonstrando assim a capacidade engenhosa e cómica da mente de Courtney. Em Julho teremos a oportunidade de ver Courtney Barnett tocar o álbum de estreia ao vivo, com um concerto no festival NOS Alive, uma oportunidade a não perder.


1. St. Vincent

Álbum preferido: um empate amigável entre Marry Me (2007) e St. Vincent (2015)

Músicas que recomendo: Your Lips Are Red, Human Racing, Marry Me, Cheerleader, Cruel, Champagne Year, Bring Me Your Loves, Birth in Reverse, I Prefer Your Love.

Annie Clark é deusa e deus, é rei e rainha, e é muito mais do que isso. O binarismo de género é demasiado medíocre para representar a imponência artística de St. Vincent. A própria identifica-se como estando algures entre o vasto espectro da sexualidade e do género. Com um nome derivado de uma letra de Nick Cave, a personagem St. Vincent, é a faceta extraterrestre brilhantemente distorcida entre a loucura e a sanidade de uma das artistas mais distintas e prodigiosas da última década. Annie Clark tem quatro discos editados como St. Vincent e um álbum colaborativo com David Byrne (Talking Heads). Se as primeiras músicas de St. Vincent capturavam um lado mais pacífico mas sempre visceral de Annie, a sua evolução enquanto compositora e performer deu lugar a uma identidade surpreendente, cativante e conhecida pela magia da distorção de uma guitarra eléctrica. A prova está no seu último trabalho, o homónimo St. Vincent, onde podemos encontrar canções carregadas de tensão ruidosa e a voz persuasiva de Annie. O concerto ao vivo desta digressão remete-nos para um David Bowie na sua década de ouro, pela originalidade e audácia com que Annie incendeia qualquer palco. No entanto, a simbiose de todas estas características talvez esteja na música “Your Lips Are Red” do disco de estreia Marry Me onde ouvimos a melodia contorcer-se entre uma balada fugaz e um exorcismo emocionalmente agressivo. Outro dos nomes que Annie menciona entre as suas maiores inspirações é Patti Smith, admitindo até que os versos “They could take or leave you, so they took you and they left you..“.da música “Cruel” foram retirados de um dos seus livros favoritos “Just Kids“. Mais recentemente a relação entre Annie Clark e a modelo/atriz britânica Cara Delevigne, foi destacada em muitas publicações dos media como um dos Power Couples de 2015. Se ainda não ouviste St. Vincent, não percas mais tempo! Agarra o capacete de astronauta mais próximo e junta-te a este exército intergalático.

 

8 Artistas Queer from lobotomy on 8tracks Radio.

Raquel Smith-Cave

Raquel Smith-Cave

Se vão a festas queer, encontram-na lá a dançar na pista e a cantar por cima dos hits dos anos 2000.
Não se deixem enganar pela sua timidez, pode conversar horas a fio e tem sempre algum facto sobre música ou televisão que nunca tínhamos pensado antes.Com opiniões espevitadas, traz-nos opiniões e listas, do que ver e ouvir.
Raquel Smith-Cave

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