28 de abril: Greve Geral e feminista no Brasil!
06/05/2017
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Na última sexta-feira, dia 28 de abril de 2017, realizou-se no Brasil uma Greve Geral, a quinta na história do país. A primeira greve geral brasileira aconteceu em julho de 1917, e reuniu mais de 50 mil trabalhadores em torno de reivindicações econômicas e políticas para sanar a crise pós I Guerra Mundial.

Apenas nos anos 1980, a greve geral foi retomada com estratégia de luta da classe trabalhadora. Motivadas pelo processo de redemocratização do país, e em oposição a forte crise econômica, três greves gerais foram realizadas em 21 de julho de 1983, em 12 de dezembro de 1986 e em 14 de março de 1989. Trabalhadores e trabalhadoras questionavam o plano econômico do governo e reivindicavam o fim das privatizações e o não pagamento da dívida externa. Os anos 1990 foram marcados pela contraofensiva neoliberal e arrefecimento da luta grevista.

Em 2013, as mobilizações de massa voltaram a acontecer no país. A população questionava os gastos com a Copa do Mundo (realizada no Brasil em 2014) e o aumento exorbitante das passagens de ônibus. Uma série de marchas e paralizações pipocaram no país contra as privatizações da Petrobras e os ataques aos direitos humanos no país. Vivíamos o governo Dilma/Partido dos Trabalhadores, de bases historicamente sociais, porém cada vez mais distante da defesa real da população.

Ainda em seu governo, assistimos aprovação de projetos de privatização do mercado de trabalho e criminalização dos movimentos sociais. Assim, 2015 e 2016 foram anos  de muita agitação por parte do movimento social, de um lado unido em defender a recente democracia no país, prestes a sofrer o golpe de estado, contra uma elite brasileira que também tomava as ruas para defender a saída a todo custo do PT do governo.  E de outro, divido entre aqueles que defendia irrestritamente o mandato da presidenta, sem a análise crítica que vínhamos fazendo, enquanto militantes feministas, de como seu governo se mostrava  cada vez mais aliado aos interesses neoliberais, classistas, racistas e machistas.

Esse contexto político e econômico complexo engrendou o golpe de Estado ocorrido em agosto de 2016, acirrando ainda mais os tensionamentos entre os movimentos sociais organizados. A então presidenta sofreu o processo de impeachment por acusação de crime de corrupção não comprovado. E foi substituída pelo então Vice-Presidente, Michel Temer.

Desde então, vimos assistindo cotidianamente o acirramento dos ataques aos direitos democráticos conquistados no Brasil, com reformas constitucionais e legislativas  que afetam principalmente a nós, mulheres. As propostas de governabilidade em curso contemplam a privatização dos serviços públicos, em especial saúde e educação, a redução de direitos trabalhistas e direitos previdenciários, o aumento do desemprego, entre tantas estratégias que estão piorando drasticamente  as condições de vida da população brasileira, em sua maioria composta por mulheres e jovens negras.

A Reforma da Previdência, é preciso registrar, ameaça aumentar e igualar a idade mínima para aposentadoria de mulheres e homens, fixando-a em 65 anos. Ao igualar a idade de aposentadoria entre homens e mulheres, o atual governo desconsidera o fato de que as mulheres, ao longo da vida, têm mais dificuldade para contribuir com a previdência por ocuparem os postos de trabalho mais precarizados e sem direitos. Desconsidera também o fato de serem elas ainda as responsáveis pelo trabalho doméstico e de cuidados, invisível e não remunerado, que dificulta o seu acesso ao mercado de trabalho formal e a sua permanência nele. As mulheres – que trabalham mais do que os homens ao longo da vida, por desempenharem a dupla jornada no mercado e em casa, e ganham, em média, 30% a menos que eles – têm agora seu direito a uma vida digna ameaçado por uma reforma que, todas nós sabemos, quer negociar nossos direitos como mercadorias.

Assim, em 28 de abril de 2017 por um processo complexo de unificação das centrais sindicais, contando inclusive com setores de base do governo ilegítimo, foi deflagrada a greve geral no país. Uma tentativa de reação contra a ofensiva neoliberal que está assolando a população. Houve protestos bastante numerosos nas principais capitais, Rio de Janeiro, São Paulo, marcados mais uma vez por grande repressão policial.

Nós, mulheres brasileiras, estivemos em marcha em 8 de março de 2017, no Dia Internacional das Mulheres em todo o país, em consonância com as resistências feministas no mundo, denunciando o avanço do conservadorismo e da militarização sobre os corpos e territórios das mulheres e denunciando os de golpes de estado na América Latina.

Assim como estivemos presentes  na Greve Geral no país em abril de 2017.

Porém, continuamos denunciando o golpe ocorrido no país, um golpe que foi também parlamentar, jurídico e midiático, de cunho misógino, extremamente violento com as mulheres. E seguimos denunciando como as propostas de reformas da Previdência e Trabalhista aprofundam ainda mais os ataques aos direitos das mulheres.

Por isso nós, mulheres, seguiremos resistindo todos os dias de nossas vidas. Por uma vida digna para todas, pelo direito à saúde, à educação e ao trabalho, pela garantia de aposentadoria às trabalhadoras rurais e urbanas, às professoras, às trabalhadoras domésticas, às trabalhadoras informais, na luta pelo fim da opressões e desigualdades.

#NossasVidasNossosDireito

#NenhumDireitoAMenos

#NenhumaAMenos

#PelaVidaDasMulheresEPeloBemViver

#ForaTemer!!!

Guaia tem 28 anos, é brasiliense e formada em serviço social pela Universidade de Brasília/DF. Especialista em Saúde Pública da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. E Especialista em Gestão de Políticas Públicas e Gênero e Raça. Militante lésbica e feminista, integra o do Fórum de Mulheres do Distrito Federal e Entorno, e faz de seus dias uma incessante luta pelo fim das violações de direitos humanos e pelo bem viver a todas as mulheres. Para Guaia, o autocuidado e o cuidado entre as mulheres é fundamental para que elas possam se fortalecer e construir juntas um novo mundo.

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